21 Novembro, 2009

Roupa Nova

Não a banda. O blog. Queria mudar os ares. Acho que ficou meio metido, mas devo admitir que combina com o autor - e esse foi um incrível rasgo de sinceridade. A apresentação do título está baseda num quadro de Robert Mangold (no Google Image há boas fotos). Eu só coloquei o "O Comentarista" dentro de um deles. Até aqui estou gostando.

19 Novembro, 2009

Associações Automáticas Insuportáveis

Não sei se todo mundo funciona assim, ou se sou só eu que sofro de Associações Automáticas Insuportáveis (AAI, no jargão técnico). E isso desde criança.

Por exemplo, toda santa vez que eu escrevo a palavra "porém" eu me lembro - e muitas vezes cantarolo - aquela passagem em segunda voz do samba "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida" do Paulinho da Viola:

Porém/
Aaaaaaaaaaaaaiiii porém/
Há um caso diferente....

(Aliás, o dono desse "aaaaaaaaaaaaiiii porém" passou a ser chamado no samba de Paulinho Porém - sério mesmo)

Outro exemplo. Sempre que eu vejo escrito ISO 9001, eu repito para mim mesmo:

Oso-Ito
Ico-Ato

Acho que isso tem alguma coisa a ver com química, não sei, não lembro.

Toda vez que jogo um determinado joguinho do Facebook (o Bejeweled Blitz) eu penso numa filha de uma amiga dos meus pais, que também está no Facebook, com quem eu troquei no máximo 5 ou 6 palavras na vida.

Toda vez que alguém diz para mim: "preciso dizer uma coisa" e eu repito "diga", eu me lembro do filme Digby, O Maior Cão do Mundo, uma espécie de sucesso da Sessão da Tarde nos anos 80 (passava todas as terças, basicamente, revezando às vezes com a Fantástica Fábrica de Chocolate - versão vintage, claro, não essa modernosa).

E por aí vai.

12 Novembro, 2009

Sedução masculina: a manobra tavares.

Sedução quando se resume a uma técnica fria de conquista perde muito o sentido da coisa. Dizem alguns que sedução é arte. Eu mesmo não tenho opinião porque sedução nunca foi o meu forte - a timidez num grau razoável sempre me impediu de desenvolver esse lado.

Porém, mera técnica ou grande arte, há algumas dicas que os homens normalmente seguem, e o fazem de forma rigorosamente consciente, mesmo quando vocês, leitoras, não fazem muita idéia do que está acontecendo, e quando dão por si...bem, deixa para lá.

Uma delas é a famosa "manobra Tavares". A origem do nome é desconhecida, porém é antiquíssima, remontando, provavelmente, ao sec. XVII, no Veneto. Ela é muito importante porque, pela sua dinâmica, é capaz de definir de forma segura e elegante uma boa conquista.

A manobra Tavares:


a) só pode ser utilizada uma única vez, num primeiro encontro ou no máximo no segundo, na hipótese exclusiva de conquista inicial, ou seja na hipótese de nada ter antes acontecido entre o casal (será inútil e perigosa a repetição dela, com consequências potencialmente desastrosas), e;

b) deve preferencialmente ocorrer em bares com mesas quadradas pequenas de quatro lugares, e com pelo menos três cadeiras (duas ocupadas pelo casal e uma livre) não sendo muito aconselhável em restaurantes com mesas maiores.

A dinâmica dela é mais ou menos assim:

1) Convida-se a moça para tomar uma caipirinha num bar gostoso, tipo o antigo Mistura Fina, a parte da frente do Esch Cigars, o Londra. É fundamental que a moça goste de beber álcool, porque à base de guaraná nada vai funcionar, salvo se se tratar de uma deusa que, nesse caso específico, pode justificar o esforço. Evita-se bares japas, porque saquê é uma bebida
muito perigosa e além disso, como visto, não funcionaria num sushi-bar. Evita-se também a cerveja, pelo efeito empapuçador dela. A caipirinha pode ser substituída por uísque. (Observo que estamos falando de uma manobra útil para o primeiro encontro, se depois tudo der certo nada impede que o casal, já formado o casal, frequente outros locais, claro.)

2) O homem se senta de frente para a moça, do lado oposto, para respeitar a indecisão dela (ainda que fingida). Comanda-se a primeira rodada de caipirinhas e um aperitivo pouco temperado (castanhas, de preferência). Alguns, mais rigorosos, fazem um lanche em casa para chegar no bar sem muita fome. Ah, importante, a caipirinha do homem só pode ser de lima ou limão, por motivos óbvios.

3) A conversação é livre, porém é aconselhável que contenha, em média, 3 tópicos engraçados para cada 1 sério e 1 de elogios à parceira. Isso muda muito conforme a cultura local. No Paraná, por exemplo, conforme eu soube, é 1 x 2 x 1; em Maceió é 4 x 0 x 2. Mas o importante é que a conversa seja mantida num tom engraçado. Pelo manual, o homem jamais deve contar vantagens, salvo se isso se referir a viagens ao exterior, mas mesmo assim com muita discrição.

4) Comanda-se a segunda rodada de caipirinhas, e mantém-se tudo na mesma. Observa-se a reação dela atentamente, buscando os pontos de interesse na conversa. Tenta-se, muitas vezes, se o cara é hábil, experimentar alguma divergência para ver até onde a moça vai na defesa da posição dela (alguns dizem que isso é fundamental).

5) Agora sim. Comanda-se a terceira rodada de caipirinhas e uma vez que o garçom sai para pegar as caipirinhas, o homem alega que vai ao banheiro - mesmo que não tenha vontade alguma de fazer xixi. No banheiro dá-se uma conferida básica, lava bem as mãos, e volta. No retorno, ao invés de se sentar no local inicial, o homem senta em algum dos dois lugares vagos, na perpendicular da moça, puxando a caipirinha nova (que, se tudo der certo, já estará no lugar antigo) para bem próximo do copo dela. Veja-se: ele não senta ao lado dela, mas naquele outro lugar vago da mesa quadrada. Aconselha-se a não puxar muito essa cadeira para perto da moça, mantendo-se ainda uma distância segura, que pode contudo ser diminuída ao longo do resto da noite.

O homem jamais deve parecer nervoso na hora da troca de lugar - tem que dar um ar de naturalidade e segurança, como se fosse óbvio que àquela altura você só poderia estar sentado ali.

Não se deve iniciar o passo 5 antes das duas caipirinhas: há risco de sobriedade em excesso. E nem depois da terceira, pelo risco inverso.

6) Finalizado o passo 5, analisa-se bem a situação. Continua-se com o papo, porque a noite é longa, e mulheres, mesmo com duas caipirinhas, podem manter um impressionante estado de vigilância e desconfiança.

A manobra tavares, a rigor, termina aí. O que vier depois já é decorrência de outras manobras, porém menos sofisticadas do ponto de vista da técnica. Se a Tavares for bem executada, e o ambiente colaborar, a situação já foi definida.

Mas é claro que tudo pode sempre dar errado. Uma vez, um "conhecido" realizou o passo 5 e, quando a moça se deu conta dos perigos da situação, perguntou:

"- Ué, mas por que você sentou aqui?"

O cara, que contudo era versado na melhor técnica, aplicou imediatamente a manobra tradicionalmente conhecida como "saída Mansur":

"- Nada não, é porque aqui dá para ver melhor o garçom para pedir a conta....ôôô garçom !! pode fechar !!"

11 Novembro, 2009

Verão


A vantagem do verão é poder apreciar as roupas mais leves das mulheres pelas ruas do Rio de Janeiro.

06 Novembro, 2009

Educação brasileira: um desabafo.

Acabei de ler na coluna da Miriam Leitão que o Armínio Fraga acha que não basta investir dinheiro na educação, e que boa parte da culpa da atual situação brasileira em educação é das famílias. "Um mistério", diz ele, sobre o fato de as famílias brasileiras não se devotarem à educação dos filhos, como por exemplo os chineses fariam.

Não diga????

Vou logo dizendo: sou simpático ao Armínio Fraga, acho ele uma ótima figura e um excelente profissional. Mas, caceta, não tem "mistério" nenhum. Eu sempre achei que esse lance de resumir educação aos milhões de reais que são "investidos" em "educação" (e tome aspas) é uma bobagem. Investe-se uma fortuna para sustentar universidades públicas ridiculamente improdutivas. Nossas universidades estão léguas atrás das principais do mundo, e não por causa de grana.

Há uma cultura de valorização do conhecimento no Brasil? Não, não há. Talvez nunca tenha havido, embora já tenhamos tido grandes nomes (de direita e de esquerda, antes que venha alguém me patrulhar). Os pais colocam seus filhos na escola alemã não para que eles leiam Goethe, mas porque está na moda, e, bem, talvez alemão seja útil na profissão deles. Permita-me a pergunta: quem você admira intelectualmente hoje no Brasil? Não vale responder ator, músico ou artista em geral, estou falando de gente que vive daquilo que pensa.

Na escola dos meus filhos, uma semana dessas, houve um evento literário. Andando no pátio, vi como uma das atrações principais dois índios contando histórias - índio mesmo, de cocar de pena e tudo. Porra. Índio brasileiro não tem nem escrita. Por que não colocaram alguém vestido de Shakespeare? Ou, beleza, para valorizar a cultura nacional, um cidadão fantasiado de José de Alencar?

Não, na educação brasileira não existe alta cultura. Cultura é a cultura das ruas, do povo, musicalidade, espontaneidade, ô beleza, capoeira, carnaval e futebol !! Não que isso também não seja cultura, claro. Mas cadê o resto? Que escola valoriza os grandes nomes? Que escola ensina um adolescente que de fato Flaubert é melhor do que, sei lá, Martha Medeiros? Que pais querem que seus filhos de fato se dediquem a aprender para além daquilo que é simplesmente "útil" na vida?

Ah, é, ia esquecendo. É que tem o lance da inclusão social. Claro. Li outro dia num jornal uma entrevista com o Diretor do departamento de engenharia da UERJ. Perguntado sobre qual o desafio da faculdade de engenharia, o cidadão respondeu: "inserção social". Porra, e eu achando que era formar bons engenheiros. Não, isso é bobagem, educação no Brasil só é educação se o professor, a escola, os pais, o faxineiro e as pobres crianças e jovens aprenderem que a água vai acabar no mundo se não economizar, que tem que reciclar, que índio é o supra-sumo da bondade (quem é que vai lembrar que índios são tradicionais infanticidas?), que tem que incluir socialmente, digitalmente, sexualmente, racialmente, que a mata atlântica vai acabar, que a porra do mico-leão dourado vai ser extinto, tudo muito lindo, e livro que é bom, nada, matemática que é bom, nada.

O Brasil, em qualquer teste internacional dos seus alunos, em qualquer matéria, fica na rabeira, nos últimos lugares. Não é que as escolas sejam culpadas. As escolas oferecem aquilo que os pais demandam em boa parte. Ai de uma escola que não coloque "sustentabilidade" em primeiro plano. Não é à toa que não temos um único prêmio Nobel.

Mas sou otimista. Tudo sempre tem conserto, e a história não tem script. Acho que em sete ou oito gerações, a contar da geração dos meus netos, talvez consigamos deixar o pelotão dos fundos no panorama do ensino mundial.

04 Novembro, 2009

Cores !!!


31 Outubro, 2009

A foto é linda, mas o fato é feio.

(mas que título de post foi esse, meu Deus?)

30 Outubro, 2009

Rowing



A idéia é essa.

27 Outubro, 2009

Violência no Rio

Beleza, todo mundo tem uma opinião sobre a questão da violência no Rio. Eu também tenho. E gosto muito da minha tese. Serei rápido: a violência é simplesmente a escolha individual do sujeito utilizar da força bruta para realizar um desejo que ele sabe ilícito. Bandido sabe que é bandido. As causas que levam alguém a ser bandido são várias, e talvez a menor delas seja a pobreza: há bandidos ricos, pobres e de classe média. Pobres querem vida honesta, assim como a grande maioria dos cariocas. Um dado para aqueles que não são daqui: nas favelas há pobreza, mas não há miséria. Não existem hordas de miseráveis morrendo de fome nos morros cariocas. Um "barraco" numa favela pode custar até R$ 40 mil, e quase todos possuem TV e geladeira.

Violência no Rio tem nome e sobrenome: tráfico de drogas. Ponto.

xx

Sou contra movimentos pela "paz". Nos anos 90, por causa de algum evento mais violento, resolveram fazer várias passeatas pela paz. Era o nascimento das ONGs, "Viva Rio", etc.. Todo mundo de branco na zona sul. Eu mesmo fui numa dessas passeatas, mas me arrependo. Pedir "paz" para bandido? Isso é rendição. Eu quero que prendam e julguem os bandidos. Quero repressão aos marginais e polícia bem equipada. Por mim e pelos pobres, esse sim os verdadeiros reféns do crime. Se alguma bala perdida me encontrar por aí - Deus me livre - por favor ninguém faça uma porra de uma passeata pela "paz", que ainda por cima vai azucrinar a vida dos motoristas. Peçam só para prender os bandidos.

"Mas não basta reprimir, tem que dar escola, luz, saneamento básico, saúde". Eu sei, eu sei, conheço a ladainha. Conheço de trás para frente. Bobagem. Desculpem, mas acho uma enorme bobagem. Os números de saneamento básico, acesso a escola, analfabetismo, mortalidade infantil não páram de melhorar - em 2000 o número de jovens analfabetos entre 15 e 17 anos era de 1,5%. Uma pesquisa rápida no Google bastará para concluir que indicadores sociais e criminalidade não mostram aquela relação tãããooo decantada entre miséria e violência.

xx

Teses sociais sobre criminalidade são abstrações pouco úteis. Talvez bons exercícios acadêmicos. O Rio não precisa de teses acadêmicas, precisa de polícia.