06 Novembro, 2009

Educação brasileira: um desabafo.

Acabei de ler na coluna da Miriam Leitão que o Armínio Fraga acha que não basta investir dinheiro na educação, e que boa parte da culpa da atual situação brasileira em educação é das famílias. "Um mistério", diz ele, sobre o fato de as famílias brasileiras não se devotarem à educação dos filhos, como por exemplo os chineses fariam.

Não diga????

Vou logo dizendo: sou simpático ao Armínio Fraga, acho ele uma ótima figura e um excelente profissional. Mas, caceta, não tem "mistério" nenhum. Eu sempre achei que esse lance de resumir educação aos milhões de reais que são "investidos" em "educação" (e tome aspas) é uma bobagem. Investe-se uma fortuna para sustentar universidades públicas ridiculamente improdutivas. Nossas universidades estão léguas atrás das principais do mundo, e não por causa de grana.

Há uma cultura de valorização do conhecimento no Brasil? Não, não há. Talvez nunca tenha havido, embora já tenhamos tido grandes nomes (de direita e de esquerda, antes que venha alguém me patrulhar). Os pais colocam seus filhos na escola alemã não para que eles leiam Goethe, mas porque está na moda, e, bem, talvez alemão seja útil na profissão deles. Permita-me a pergunta: quem você admira intelectualmente hoje no Brasil? Não vale responder ator, músico ou artista em geral, estou falando de gente que vive daquilo que pensa.

Na escola dos meus filhos, uma semana dessas, houve um evento literário. Andando no pátio, vi como uma das atrações principais dois índios contando histórias - índio mesmo, de cocar de pena e tudo. Porra. Índio brasileiro não tem nem escrita. Por que não colocaram alguém vestido de Shakespeare? Ou, beleza, para valorizar a cultura nacional, um cidadão fantasiado de José de Alencar?

Não, na educação brasileira não existe alta cultura. Cultura é a cultura das ruas, do povo, musicalidade, espontaneidade, ô beleza, capoeira, carnaval e futebol !! Não que isso também não seja cultura, claro. Mas cadê o resto? Que escola valoriza os grandes nomes? Que escola ensina um adolescente que de fato Flaubert é melhor do que, sei lá, Martha Medeiros? Que pais querem que seus filhos de fato se dediquem a aprender para além daquilo que é simplesmente "útil" na vida?

Ah, é, ia esquecendo. É que tem o lance da inclusão social. Claro. Li outro dia num jornal uma entrevista com o Diretor do departamento de engenharia da UERJ. Perguntado sobre qual o desafio da faculdade de engenharia, o cidadão respondeu: "inserção social". Porra, e eu achando que era formar bons engenheiros. Não, isso é bobagem, educação no Brasil só é educação se o professor, a escola, os pais, o faxineiro e as pobres crianças e jovens aprenderem que a água vai acabar no mundo se não economizar, que tem que reciclar, que índio é o supra-sumo da bondade (quem é que vai lembrar que índios são tradicionais infanticidas?), que tem que incluir socialmente, digitalmente, sexualmente, racialmente, que a mata atlântica vai acabar, que a porra do mico-leão dourado vai ser extinto, tudo muito lindo, e livro que é bom, nada, matemática que é bom, nada.

O Brasil, em qualquer teste internacional dos seus alunos, em qualquer matéria, fica na rabeira, nos últimos lugares. Não é que as escolas sejam culpadas. As escolas oferecem aquilo que os pais demandam em boa parte. Ai de uma escola que não coloque "sustentabilidade" em primeiro plano. Não é à toa que não temos um único prêmio Nobel.

Mas sou otimista. Tudo sempre tem conserto, e a história não tem script. Acho que em sete ou oito gerações, a contar da geração dos meus netos, talvez consigamos deixar o pelotão dos fundos no panorama do ensino mundial.

04 Novembro, 2009

Cores !!!


31 Outubro, 2009

A foto é linda, mas o fato é feio.

(mas que título de post foi esse, meu Deus?)

30 Outubro, 2009

Rowing



A idéia é essa.

27 Outubro, 2009

Violência no Rio

Beleza, todo mundo tem uma opinião sobre a questão da violência no Rio. Eu também tenho. E gosto muito da minha tese. Serei rápido: a violência é simplesmente a escolha individual do sujeito utilizar da força bruta para realizar um desejo que ele sabe ilícito. Bandido sabe que é bandido. As causas que levam alguém a ser bandido são várias, e talvez a menor delas seja a pobreza: há bandidos ricos, pobres e de classe média. Pobres querem vida honesta, assim como a grande maioria dos cariocas. Um dado para aqueles que não são daqui: nas favelas há pobreza, mas não há miséria. Não existem hordas de miseráveis morrendo de fome nos morros cariocas. Um "barraco" numa favela pode custar até R$ 40 mil, e quase todos possuem TV e geladeira.

Violência no Rio tem nome e sobrenome: tráfico de drogas. Ponto.

xx

Sou contra movimentos pela "paz". Nos anos 90, por causa de algum evento mais violento, resolveram fazer várias passeatas pela paz. Era o nascimento das ONGs, "Viva Rio", etc.. Todo mundo de branco na zona sul. Eu mesmo fui numa dessas passeatas, mas me arrependo. Pedir "paz" para bandido? Isso é rendição. Eu quero que prendam e julguem os bandidos. Quero repressão aos marginais e polícia bem equipada. Por mim e pelos pobres, esse sim os verdadeiros reféns do crime. Se alguma bala perdida me encontrar por aí - Deus me livre - por favor ninguém faça uma porra de uma passeata pela "paz", que ainda por cima vai azucrinar a vida dos motoristas. Peçam só para prender os bandidos.

"Mas não basta reprimir, tem que dar escola, luz, saneamento básico, saúde". Eu sei, eu sei, conheço a ladainha. Conheço de trás para frente. Bobagem. Desculpem, mas acho uma enorme bobagem. Os números de saneamento básico, acesso a escola, analfabetismo, mortalidade infantil não páram de melhorar - em 2000 o número de jovens analfabetos entre 15 e 17 anos era de 1,5%. Uma pesquisa rápida no Google bastará para concluir que indicadores sociais e criminalidade não mostram aquela relação tãããooo decantada entre miséria e violência.

xx

Teses sociais sobre criminalidade são abstrações pouco úteis. Talvez bons exercícios acadêmicos. O Rio não precisa de teses acadêmicas, precisa de polícia.

EDUARDO SUED


(Esse quadro é de 2003. Uma beleza, não?)

Aviões sem destino

Bom, além de todas as preocupações usuais relacionadas a viagens aéreas (desde o regular funcionamento dos sistemas hidráulicos até as condições meteorológicas básicas), acabei de acrescentar mais um item: o avião sem destino. Vê se pode um negócio desses? Os caras estão dizendo que não dormiram nada, que foi só uma distração por conta de uma discussão sobre política de pessoal das companhias aéreas. Parece que estavam usando laptops. Sei.

Minha tese é simples: estava rolando uma suruba na cabine. Eu, particularmente, sempre acho que rola surubas em cabines de comando.